Araraquara não possui um cadastro ou mapeamento dos pacientes com alergias e intolerâncias alimentares e doença celíaca atendidos pela rede pública de saúde. A informação é da Secretaria da Saúde em resposta a questionamentos feitos pelo vereador Enfermeiro Delmiran (PL) a respeito dos cuidados oferecidos pelo Município para pessoas nessas condições.
Mesmo sem dados que permitam saber os números que esse público representa, a pasta reforça que “os usuários com essas condições são assistidos regularmente na rede municipal da saúde, conforme necessidade clínica, no âmbito da atenção especializada”.
Na sequência, o documento explica que os serviços de atenção à saúde da cidade seguem as diretrizes clínicas nacionais vigentes e, no caso dos celíacos, os profissionais observam o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCTD) do Ministério da Saúde. Em cada caso específico, há ainda o acompanhamento individual, que envolve especialistas das áreas de Clínica Médica, Gastroenterologia, Pediatria, Endocrinologia e Nutrição.
Embora entenda que as informações poderiam oferecer elementos para melhorias na gestão e no aprimoramento da gestão do cuidado para esses casos, a Prefeitura não tem um planejamento ou previsões para implantar um sistema que colete e forneça esses números.
O Executivo também confirma que a ausência de uma base de dados impede a realização de ações intersetoriais voltadas exclusivamente a essas pessoas, mas fala sobre a expectativa de que isso mude em um futuro próximo, melhorando o tratamento de adultos e crianças que vivem com essas doenças.
“Como parte do processo de qualificação da atenção especializada, surge a possibilidade de implantação gradual de sistemas de indicadores assistenciais, que permitirão aperfeiçoar o acompanhamento dos atendimentos realizados, bem como subsidiar, futuramente, o planejamento de ações integradas com as políticas de saúde, educação e assistência social”, lê-se no documento.
O que é a doença celíaca
Segundo o site do Ministério da Saúde, a doença celíaca é uma condição autoimune “causada pela intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados, provocando dificuldade do organismo de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água”.
Os sintomas, que incluem dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, perda de peso e desnutrição, costumam aparecer logo nos primeiros anos de vida, mas podem surgir em qualquer faixa etária.
Estima-se que 78 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentem esse problema de saúde. A Federação Nacional das Associações de Celíacos (Fenacelbra) projeta que no Brasil, aproximadamente dois milhões de pessoas tenham a doença, embora 80% delas desconheçam o diagnóstico.
Alergias x intolerâncias alimentares
As alergias e intolerâncias alimentares são problemas de saúde diferentes, embora muita gente ainda as trate como sinônimos. As intolerâncias são caracterizadas por problemas na digestão de alguns alimentos, devido à ausência ou insuficiência na produção de enzimas responsáveis pela quebra de moléculas específicas, como a lactose ou o glúten, por exemplo.
Essa deficiência do organismo costuma causar inchaço abdominal, dores e diarreias após o consumo de determinados nutrientes. Porém, isso nem sempre acontece imediatamente após a ingestão, e ajustes pontuais na dieta costumam minimizar as ocorrências.
Já nas alergias, as reações começam a aparecer logo depois do contato com o alimento e costumam envolver urticária, inchaço e coceira na pele, problemas gastrointestinais e, nos casos mais extremos, a anafilaxia, que é uma resposta alérgica grave e pode ser fatal.
Publicado em: 27/02/2026 12:37:35
Publicado por: Foto: Portal Morada