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Autismo e inclusão no trabalho destacam a valorização das diferenças

Palestra na Câmara Municipal discute condições do neurodesenvolvimento, esclarecendo mitos comuns que ainda impactam a inserção no ambiente profissional

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Você já parou para pensar que o mundo pode ser sentido de infinitas formas e que pessoas são diferentes? Esses questionamentos foram o ponto de partida da abordagem “Autismo e Neurodiversidade em foco: contribuindo para ambientes de trabalho mais inclusivos”, tema apresentado pela especialista Karina Maia, na tarde de quarta-feira (6), no Plenarinho da Câmara. A atividade, promovida pelo setor de Gestão de Pessoal da Câmara Municipal de Araraquara, reuniu servidores da Casa de Leis, além do vereador Marcelinho (Progressistas).

Com foco na inclusão e no respeito às diferenças, a atividade trouxe reflexões importantes sobre o autismo e a neurodiversidade no mercado de trabalho, reforçando a necessidade de ambientes mais acessíveis e acolhedores. “Entender que o outro pensa diferente de mim é o primeiro passo para uma comunicação verdadeira”, afirmou Larina.

O encontro apresentou conceitos essenciais sobre o transtorno do espectro autista (TEA) e a neurodiversidade, entendida como parte natural da diversidade humana. A proposta foi ampliar o conhecimento dos participantes e desconstruir mitos que ainda dificultam a inclusão de pessoas neurodivergentes, especialmente no contexto profissional.

Também servidora pública com 13 anos de experiência na área da saúde e mãe de um filho autista, Karina compartilhou conhecimentos que misturam rigor técnico e vivência prática para ajudar a acolher melhor as pessoas neurodiversas. “O TEA é um transtorno neurobiológico que afeta o desenvolvimento cerebral ainda na gestação. Diferentemente do que muitos acreditam, a condição é permanente e não tem relação com vacinas ou uso de telas”, desmitificou a palestrante, enfatizando que, embora existam genes sendo estudados, ainda não há um marcador biológico único, o que torna o diagnóstico clínico e a observação do comportamento fundamentais.

 

As camadas do espectro

Karina explicou que o autismo não é uma “régua”, mas um espectro com diferentes níveis de suporte. No Nível 1, a pessoa pode ter uma vida autônoma, trabalhar e constituir família, embora lide com especificidades na comunicação. O Nível 2 é intermediário, porém não há sincronia de comunicação, com trocas entre os interlocutores. Já no Nível 3, há uma alta dependência para atividades básicas como higiene e alimentação, exigindo um cuidado contínuo que muitas vezes falta na rede pública e privada após a maioridade. Um dos desafios discutidos foi a comunicação literal dos autistas de nível 1. Karina alertou que metáforas, ironias e expressões como “chover canivete” podem não fazer sentido para pessoas com TEA, gerando mal-entendidos. “A orientação é ser direto e objetivo: ao dar instruções no trabalho, por exemplo, o ideal é fornecer comandos simples e conferir se a mensagem foi compreendida, evitando sobrecarga de informações”, acrescentou.

 

O Valor do Pertencimento

Para a especialista, a palavra “inclusão” pode ser problemática por pressupor uma divisão prévia. Ela defende o conceito de “pertencimento”, pelo qual os ambientes são construídos para que todos se sintam parte do todo, independentemente de suas condições. Citando exemplos de empresas que adaptam seus processos, Karina destacou o impacto positivo na autoestima de quem tem deficiência intelectual ao poder usar um uniforme e dizer: “Estou indo trabalhar”.

 

Desafios do diagnóstico tardio

Muitos adultos descobrem o autismo apenas após os 40 anos, muitas vezes buscando respostas para uma vida inteira de exaustão e ansiedade por tentarem se encaixar em padrões sociais. Karina explicou que o diagnóstico tardio costuma trazer um imenso alívio, permitindo que a pessoa ressignifique suas experiências passadas e busque ajuda profissional adequada para lidar com suas particularidades.

 

O primeiro passo é a empatia

Ao encerrar, a palestrante reforçou que somos todos neurodiversos em nossas limitações e talentos. O objetivo final não é apenas rotular com um CID, mas promover a empatia e a comunicação clara no dia a dia. Entender que o outro pensa e sente de forma diferente é o passo essencial para uma convivência justa em nossa sociedade. “Reconhecer os desafios é o primeiro passo para construir soluções inclusivas”, concluiu.

 

Karina Maia

Pedagoga, especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional, especialista em transtorno do espectro autista (TEA) e transtornos do neurodesenvolvimento, especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), gestora em Saúde Pública, assessora executiva de Saúde do Município de Araraquara

 

 


Publicado em: 07 de maio de 2026

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Categoria: Câmara

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