Notícias



Câmara adia projeto e propõe discussão pública sobre armamento da Guarda



485


Criada há 14 anos com o propósito de proteger os próprios públicos, a Guarda Civil Municipal foi aos poucos ganhando espaço no limitado campo da segurança pública. O gás de pimenta e a tonfa, popularmente chamada de cassetete, receberam em 2013 um importante aliado: a arma de choque. Agora, a discussão é sobre o uso da arma letal por parte dos agentes de Araraquara. Com a pauta justamente propondo a alteração da lei, a Câmara Municipal realizou nesta terça-feira uma reunião aberta sobre o armamento da Guarda e adiou temporariamente a votação.

 

Aprovada no ano passado, a Lei Federal nº 13.022 deu mais poderes para a Guarda Municipal, não se restringindo apenas aos prédios públicos, mas também à fiscalização do Código de Posturas, fiscalização do trânsito e de ambulantes. Embasados por essa medida, 28 guardas de Araraquara conseguiram na Justiça a autorização de portar arma pessoal e não corporativa. A situação levantou a discussão e os riscos, por isso a Prefeitura, por meio da Coordenação da Guarda, encaminhou a proposta à Câmara.

 

Apesar do pedido dos agentes, a votação do projeto foi adiada para que seja realizada uma ampla discussão. “Estamos fazendo uma primeira reunião para saber quais os motivos e, depois, faremos uma Audiência Pública com a Promotoria para qualificar a discussão. Armar a guarda em que condição? Quanto tempo teremos para preparar esse profissional que não foi preparado para isso na sua seleção? Quais os custos e o tempo para implantar com qualidade, e quais os encargos, os ônus legais, consequências e riscos?“, questiona a vice-presidente da Câmara, Edna Martins (PV).

 

Para o presidente da Casa, Elias Chediek (PMDB), o projeto é uma reivindicação antiga que foi ‘apressado’ após respostas positivas obtidas na Justiça. “O Governo preparou a lei, mas que não tem pressa para aprovação.” Líder da base, o vereador farmacêutico Jéferson Yashuda (PSDB) acredita que o projeto pode garantir mais segurança aos guardas, usando somente a arma cedida pelo município e durante o trabalho. “O projeto, além do armamento, também prevê a criação da Ouvidoria e ele terá todo um debate independente de quanto tempo leve.”

 

A proposta de armar a GCM tem vários lados. O coordenador da Guarda, Marcos Roberto da Silva, acredita que a lei somente regularizará a situação já concedida pela Justiça. Em sua opinião, convênios poderão ser firmados com outras instituições como a Polícia Militar para o treinamento. A compra das armas seria feita pela Prefeitura e somente poderiam estar aptos os agentes que não respondem a nenhum processo criminal. “Estamos inseridos no contexto da segurança pública e acabamos nos deparando com ocorrências em prol da população.”

 

Contrário a proposta, o sociólogo do Núcleo de Estudos de Violência da Unesp de Araraquara, José dos Reis Santos Filho, não vê a necessidade de aumentar o número de armas nas ruas, principalmente ao lados das polícias. “Nossa discussão é pautada pela natureza desse projeto de lei e de onde virão os recursos que sustentarão essa política”, diz o professor citando o conjunto de gastos, como a compra de armas, de munições para uso e treinamento, de local para o armazenamento desses equipamentos, além de todo o risco que envolve a prática.

 

Araraquara tem pouco mais de 80 guardas civis municipais. A estimativa do Comando é que 50 deles possam usar a arma em serviço, caso queiram e sejam aprovados nos testes práticos e psicológicos. André Ricardo dos Santos é um desses agentes interessados. Para ele, trata-se de uma ferramenta a mais de trabalho para garantir a integridade do agente e do cidadão. “Antes disso precisamos pensar na conscientização e na responsabilidade sabendo que teremos toda uma fase de treinamento para poder usar da melhor forma possível.”

 

Há dois anos, o armamento de choque chegou proporcionando mira a laser e alcance de até dez metros do ponto do disparo. Para o guarda civil municipal, Antônio Marcos Viana da Silva, com o treinamento apropriado, a arma de fogo ajudará bastante o trabalho nas ruas. Atualmente, das 993 cidades brasileiras que contam com Guarda Municipal, 84% são armadas, de acordo com dados disponibilizados em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

População diverge sobre o tema

Quem mora em Araraquara tem opinião divergente sobre o armamento da Guarda Civil Municipal. Márcia Martins Pantaleão aprova e ressalta a necessidade da cautela prevendo o uso em situações de extrema necessidade. “Eu sou a favor por ser para o bem da população. Se alguém estiver sendo assaltando, o Guarda pode agir enquanto a Polícia não chega”, justifica Vanessa Aparecida Reis de Almeida.]

 

Já Kevin Pasqualini afirma ser válido desde que haja um devido controle e a padronização das rotinas.

 

Na ala dos moradores contrários a medida, Melissa Ribeiro da Silva acredita que nem a polícia está preparada para andar armada. Já Claudiana Roberta Pereira Stemberg justifica a opinião devido a falta de um treinamento específico e prolongado, como é realizado pelas polícias. “Eu também não concordo porque é preciso uma qualificação”, avalia Juliano Luis Bianchini. Para Felipe Antônio Veludo dos Santos, o risco do guarda civil armado pode refletir na população, no caso de um confronto a tiros com bandidos.


Publicado em: 14 de abril de 2015

Cadastre-se e receba notícias em seu email

Categoria: Câmara

Comentários

Adicione seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.


Outras Notícias

Fique por dentro

Usuários do Bom Prato pedem reforço no patrulhamento da Guarda Municipal nas imediações do restaurante

21 de janeiro de 2026

A vereadora Filipa Brunelli (PT) apresentou Indicação ao Executivo, solicitando o reforço no patrulhamento da Guarda Civil Municipal (GCM) nas imediações do restaurante Bom Prato, localizado na Ave...



Câmara aprova campanha de prevenção a ISTs e Aids

21 de janeiro de 2026

Os vereadores aprovaram, em Plenário, durante a 46ª Sessão Ordinária realizada na terça-feira (20), o Substitutivo nº 2 ao Projeto de Lei nº 41/2025, de autoria da vereadora Filipa Brunelli (PT), q...



Projeto ‘Praçambá’ (25/01)

21 de janeiro de 2026

No domingo (25), a Praça das Bandeiras, no Centro, recebe a Feira AQA Criativa e o projeto “Praçambá”, das 17 às 22 horas, com programação gratuita e aberta ao público. A feira de empreendedores re...



Tô em Casa (25/01)

21 de janeiro de 2026

O Parque Infantil recebe no sábado (24) mais uma edição da Feira Tô em Casa, com programação das 10 às 18 horas. Realizado em espaço aberto e acessível, o evento reúne estandes de gastronomia e pro...



Atendimento odontológico

21 de janeiro de 2026

O atendimento odontológico de emergência, que normalmente é realizado na UPA Central, passa a funcionar temporariamente no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO). A medida visa garantir a con...



Vistoria veicular (até 23/01)

21 de janeiro de 2026

A Prefeitura informa que a vistoria veicular obrigatória para os permissionários do transporte escolar será realizada até sexta-feira (23), das 8h30 às 11h e das 14h30 às 16h30, na Avenida Bento de...





Esse site armazena dados (como cookies), o que permite que determinadas funcionalidades (como análises e personalização) funcionem apropriadamente. Clique aqui e saiba mais!