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Quem caminha pelo Parque Infantil, bem no centro de Araraquara, não imagina que debaixo dos pés, mais precisamente no calçamento feito com lajes de arenito de Formação Botucatu, conserva-se um rico acervo paleontológico, formado por pegadas de dinossauros que viveram aqui há aproximadamente 130 milhões de anos. Na sexta-feira (8), a vereadora Juliana Damus (Progressistas), autora do projeto de lei que visa à preservação desse patrimônio histórico, percorreu o parque ao lado do paleontólogo e professor da UFScar Marcelo Adorna Fernandes.
Quem se impressionou com a história foi a advogada Denise Pozza. Ela não sabia que o parque, em que sempre passeia com o filho Álvaro Antônio, de 3 anos, guardava memórias jurássicas: “É incrível imaginar que não apenas um, mas vários dinossauros já passaram por aqui”. Há mais de 30 anos debruçado sobre esses vestígios, Fernandes explica: “Esta região do Brasil já foi um grande deserto e, em Araraquara, havia uma espécie de oásis que permitiu que os animais deixassem seus rastros na areia molhada, depois transformada em pedras.” Mas, se em Araraquara, estas calçadas são desconhecidas por muita gente, no mundo acadêmico elas são famosas e ganharam até um apelido: calçadas jurássicas. “Há vários livros científicos que mencionam Araraquara, justamente por abrigar os únicos registros desse tempo de transição entre o período Jurássico e o Cretáceo”, conta Fernandes.
História preservada
Em Araraquara, estas lajes são facilmente encontradas pelas ruas do centro e dos bairros mais antigos, contudo, parte significativa desse acervo já foi danificada ou descartada, na maioria das vezes, por falta de conhecimento das pessoas. Com a lei, de autoria da vereadora e aprovada por unanimidade na Sessão Ordinária do dia 26, fica estabelecido que todo serviço de remoção, reforma ou remodelação de áreas destinadas ao passeio público revestidas de lajes de Arenito deve ser avaliado pelo Poder Público. “Nossa ideia é fazer um levantamento de todos os locais que tenham essas lajes e comunicar o respectivo proprietário sobre a necessidade de conservação. Também pretendemos fazer um trabalho de conscientização junto às escolas para que as crianças entendam a importância da preservação e atuem como multiplicadores dentro de suas famílias. Sem contar o potencial turístico que pode ser explorado com tantos museus a céu aberto que a cidade possui”, concluiu Juliana.
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